FRACTURA DO ESCAFOIDE
O escafóide é um dos oito pequenos ossos que compõem o punho e, estatisticamente, é o osso do carpo que se fractura com maior frequência. Esta lesão ocorre habitualmente devido a uma queda sobre a mão espalmada.
Devido à sua anatomia e ao tipo de suprimento sanguíneo, a fractura do escafóide exige uma atenção especializada. A Dra. Ana Pinto, especialista em Cirurgia da Mão, destaca que um diagnóstico precoce é vital para evitar complicações a longo prazo, como a falta de consolidação do osso.
Sintomas e o Desafio do Diagnóstico
As fracturas do escafóide são conhecidas por serem "traiçoeiras", pois a dor pode ser ligeira e confundir-se com uma simples entorse do punho.
Sinais de Alerta:
Dor na "Tabaqueira Anatómica": Sensibilidade focal na zona depressível do punho, logo abaixo da base do polegar.
Inchaço moderado: Edema na face radial (lateral) do punho.
Dificuldade em pinça: Dor ao tentar agarrar objetos entre o polegar e o indicador.
A "Fractura Invisível": Muitas destas fracturas não aparecem no primeiro Raio-X. Se a dor persistir, é fundamental realizar exames mais avançados como a Tomografia Computadorizada (TAC) ou Ressonância Magnética.
Opções de Tratamento: Do Gesso à Cirurgia
O plano de tratamento é determinado pela localização da fractura no osso e pelo grau de desvio dos fragmentos.
1. Tratamento Conservador
Se a fractura for estável e não apresentar desvio:
Imobilização com Gesso: O punho (e por vezes o polegar) é imobilizado por um período que pode variar entre 6 a 12 semanas.
Monitorização: Exames de imagem regulares para garantir que o osso está a cicatrizar corretamente.
2. Tratamento Cirúrgico (Fixação Interna)
Recomendado para fracturas com desvio, fracturas no "polo proximal" (zona com menos sangue) ou para pacientes que necessitam de um retorno rápido à atividade:
Parafuso de Compressão: É inserido um micro-parafuso através de uma técnica minimamente invasiva para manter os fragmentos unidos e estáveis.
Vantagem: Permite iniciar a reabilitação muito mais cedo do que com o gesso, reduzindo o risco de rigidez permanente.
Riscos da Falta de Tratamento
Negligenciar uma dor no punho após uma queda pode levar a cenários graves:
Pseudoartrose: Quando o osso não cola, causando dor crónica e perda de força.
Necrose Avascular: Morte do tecido ósseo por falta de sangue, comum em fracturas do escafóide não tratadas.
Artrose Precoce: Desgaste acelerado da articulação do punho.
Caiu sobre a mão e sente dor na base do polegar? Não assuma que é apenas uma entorse. Proteja a mobilidade do seu punho com uma avaliação especializada.